"Quero apenas cinco coisas..
Primeiro é o amor sem fim
A segunda é ver o outono
A terceira é o grave inverno
Em quarto lugar o verão
A quinta coisa são teus olhos
Não quero dormir sem teus olhos.
Não quero ser... sem que me olhes.
Abro mão da primavera para que continues me olhando."
- Pablo Neruda
domingo, 19 de maio de 2013
sábado, 18 de maio de 2013
Saudade do irmão que nunca conheci. Saudade da mãe que foi-se cedo demais e de um jeito errado demais. Saudade do irmão querido que mora longe. Saudade do irmão difícil que outrora amei tanto. Saudade de mim mesma quando conseguia conceber que um dia eu viveria sem me sentir quebrada. Saudade de esperar pelo futuro achando que seria melhor. De fato tenho liberdade, mas tenho também tanta desesperança. Saudade de todxs que chamei de amigxs e hoje chamo de lembranças.
O acúmulo de ausências que chamam de vida simplesmente é pesado demais.
Hoje a noite eu só gostaria de deitar minha cabeça no colo de 2 pessoas que entenderiam minha dor. Ambas estão fora de alcance.
O acúmulo de ausências que chamam de vida simplesmente é pesado demais.
Hoje a noite eu só gostaria de deitar minha cabeça no colo de 2 pessoas que entenderiam minha dor. Ambas estão fora de alcance.
filosofrer
há quem diga
que o belo da vida
está em ser vivida
para outros, reside na liberdade
da existência preceder a essência
de um tomar para si a responsabilidade
de buscar ser feliz
ou buscar a verdade
se destruir
ou desistir no processo
para mim, a beleza da vida está na solidariedade
[da sarjeta
o belo estaria naquele que, a despeito da miséria,
a despeito da sarjeta
conseguisse estender as mãos calejadas e feridas
pelo duro ofício de seu destino- fado-fardo
insistir em ser vivido
estendê-las para o próximo
estivesse ele melhor, semelhante ou pior
geralmente circunstâncias transitórias
acompanhadas pela dor de cada história
ousei buscar a coerência
a veleidade de ser eu própria este imperativo categórico
falhei
disse um bigodudo hiperbóreo
aqueles que lutam contra monstros
devem tomar cuidado para não tornar-se um
já não sei se o monstro é o mundo ou sou eu
confundimo-nos
tornar-me-ei parte do mundo
parte da miséria
parte da terra
que anseio cobrir esse corpo
a beleza da vida é subjetiva
a da minha, é sua finitude
(escrito 10/04/2013)
que o belo da vida
está em ser vivida
para outros, reside na liberdade
da existência preceder a essência
de um tomar para si a responsabilidade
de buscar ser feliz
ou buscar a verdade
se destruir
ou desistir no processo
para mim, a beleza da vida está na solidariedade
[da sarjeta
o belo estaria naquele que, a despeito da miséria,
a despeito da sarjeta
conseguisse estender as mãos calejadas e feridas
pelo duro ofício de seu destino- fado-fardo
insistir em ser vivido
estendê-las para o próximo
estivesse ele melhor, semelhante ou pior
geralmente circunstâncias transitórias
acompanhadas pela dor de cada história
ousei buscar a coerência
a veleidade de ser eu própria este imperativo categórico
falhei
disse um bigodudo hiperbóreo
aqueles que lutam contra monstros
devem tomar cuidado para não tornar-se um
já não sei se o monstro é o mundo ou sou eu
confundimo-nos
tornar-me-ei parte do mundo
parte da miséria
parte da terra
que anseio cobrir esse corpo
a beleza da vida é subjetiva
a da minha, é sua finitude
(escrito 10/04/2013)
sábado, 11 de maio de 2013
Tatuagem
"Bury my heart next to yours" - Enterre meu coração próximo ao seu. Trecho de uma música do Mumford and Sons, Ghosts that we knew.
Meu antebraço estará permanentemente marcado de saudade e tentativa de honrá-la. Isso está em mim inteira. Tento transformar isso em inspiração, mas a vontade maior é de destruir-me junto.
Que saudade.
Que saudade.
Escrevi em maio aqui no blog:
"A morte é a verdade absoluta.
Esmagadora. Inexorável."
E isso continua sendo verdade. E tudo isso, e aquilo, continuam sendo verdade.
Disseram-me que uns dias antes dela se matar ela estava deitada na cama dela, acordada, encolhida em posição fetal. De tênis. Essa imagem acaba comigo. Já a vi assim. Já estive assim.
Mãe, mãe, mãe... Você falou que iria ao enterro do meu avô porque tinha folheado num livro espírita que as energias ajudavam os mortos. Algo assim. Meu pranto te ajuda de alguma forma, será? Se tem algo depois dessa existência dolorosa, minhas lágrimas te confortam ou angustiam? Eu só quero que você esteja em paz. Para sempre. A paz que eu não dei a ti, e isso me amargura tanto. Isso me destrói tanto. Ainda.
Eu só queria abraçá-la. Eu só queria abraçá-la. E nada nesse mundo pode me oferecer isso.
Meu antebraço estará permanentemente marcado de saudade e tentativa de honrá-la. Isso está em mim inteira. Tento transformar isso em inspiração, mas a vontade maior é de destruir-me junto.
Que saudade.
Que saudade.
Escrevi em maio aqui no blog:
"A morte é a verdade absoluta.
Esmagadora. Inexorável."
E isso continua sendo verdade. E tudo isso, e aquilo, continuam sendo verdade.
Disseram-me que uns dias antes dela se matar ela estava deitada na cama dela, acordada, encolhida em posição fetal. De tênis. Essa imagem acaba comigo. Já a vi assim. Já estive assim.
Mãe, mãe, mãe... Você falou que iria ao enterro do meu avô porque tinha folheado num livro espírita que as energias ajudavam os mortos. Algo assim. Meu pranto te ajuda de alguma forma, será? Se tem algo depois dessa existência dolorosa, minhas lágrimas te confortam ou angustiam? Eu só quero que você esteja em paz. Para sempre. A paz que eu não dei a ti, e isso me amargura tanto. Isso me destrói tanto. Ainda.
Eu só queria abraçá-la. Eu só queria abraçá-la. E nada nesse mundo pode me oferecer isso.
sábado, 4 de maio de 2013
Um ano de saudade, ou: Afetos não são mercantilizáveis
Eu comecei a vender cupcakes. Comecei bem no freestyle, então ainda me faltavam/faltam materiais, e por isso, quinta-feira fui numa cidade próxima comprá-los.
Fui num aglomerado de lojinhas. Por muitas, espalhavam-se cartazes sobre o dia das mães. "Compre uma panela/ tupperware/ joia/ calcinha para sua mãe!"
Dia 4 de maio de 2012, uma sexta, à noite, eu saí com o Alex. Estávamos ficando há umas duas semanas. Comecei despretensiosamente, mas me apaixonei. E nesse dia eu resolvi falar que estava gostando dele e preocupada em não ser recíproco. E começamos a namorar, e foi lindo.
Alex: Que dia é hoje?
Eu : 4 de maio.
Alex: Não é um dia muito massa pra fazer aniversário de namoro.
Eu: Por quê?
Alex: 4 é um número da morte pros japoneses.
Eu: Hmm...
Marcamos de nos encontrar no dia seguinte no shopping.
No dia seguinte, sábado de manhã, 5 de maio, mais ou menos 10h, ligam na minha casa. Meu irmão atende. Desliga e bate na porta do meu quarto com delicadeza, o que eu estranho, já que ele era extreamente grosso pra simplesmente abri-la quando resolvia me acordar porque "já tava tarde".
"Posso entrar?"
"Sim"
"Giovana... minha mãe morreu."
"Como assim? Como assim? Como assim?"
Comecei a chorar mas parei logo. Meu irmão me ofereceu um café, eu recusei. Fiz um chá. Ele disse que ela havia se matado em Abadiânia, GO. E que iria com outros familiares resolver burocracias do corpo. E eu disse que iria ver o Alex no shopping. Ele não tinha celular na época, eu não queria dar bolo.
Quando estávamos lá, contei o que havia acontecido e fomos tomar um café. Eu estava calma. Vi a vitrine, "Bolo das mães". Comecei a chorar. Assim como chorei muito quinta-feira voltando de Taguatinga, onde fui comprar as coisas pros cupcakes.
Mas o ônibus levou 1h30min e além de chorar eu refleti bastante. E refleti sobre o dia das mães.
Não sei se já dei presente de dia das mãe pra ela alguma vez na vida, mas se dei, foram com certeza pouquíssimas vezes. Ela não fazia nenhuma questão. Minha mãe dizia que não era, nas palavras dela, convencional, e de fato ela nunca foi, para o bem e para o mal.
Minha mãe com certeza diria que o dia das mães era só uma data comercial, como outras. E realmente é.
Afetos não são mercantilizáveis, não importa o quanto o capitalismo tente te convencer disso. Se eu pudesse presentear minha mãe esse ano, seria com mais compreensão, carinho e um pedido de perdão. Talvez eu levasse ela pra sair, mas não por causa do dia das mães, e sim porque eu quero. Como já levei antes. Tendo momentos agradáveis ou com a gente se espezinhando. Mas para todos a vida é uma alternância de momentos, e hoje eu tenho consciência disso.
"Hoje eu faria
Algumas coisas de um jeito diferente
Levaria o "be kind" mais a sério
Mas eu não podia ser mais velha do que era"
http://abaixoagravidade.blogspot.com.br/2012/12/sobre-continuar.html
Dei o nome da minha "marca" de cupcakes de Diadorim. Diadorim é um protagonista de Grande Sertão: Veredas, do autor preferido dela: Guimarães Rosa. Cozinhar pra mim é um ato de amor. Também quero ter um dia um local para pessoas que precisem dormir e viver com o nome de Casa Beatriz.
A única coisa que posso fazer com a saudade, a dor, e o arrependimento, e as reflexões, e as experiências, é tentar evitar que me dilacerem e tentar sempre ser uma pessoa melhor, mais gentil e compassiva. Alguém que ela pudesse ter orgulho, se Deus quiser.
Ela entenderia que eu estou tentando, como ela tentou. Enquanto pôde e até o final.
Eu te amo, mãe. Espero que você esteja num lugar melhor.
Fui num aglomerado de lojinhas. Por muitas, espalhavam-se cartazes sobre o dia das mães. "Compre uma panela/ tupperware/ joia/ calcinha para sua mãe!"
Dia 4 de maio de 2012, uma sexta, à noite, eu saí com o Alex. Estávamos ficando há umas duas semanas. Comecei despretensiosamente, mas me apaixonei. E nesse dia eu resolvi falar que estava gostando dele e preocupada em não ser recíproco. E começamos a namorar, e foi lindo.
Alex: Que dia é hoje?
Eu : 4 de maio.
Alex: Não é um dia muito massa pra fazer aniversário de namoro.
Eu: Por quê?
Alex: 4 é um número da morte pros japoneses.
Eu: Hmm...
Marcamos de nos encontrar no dia seguinte no shopping.
No dia seguinte, sábado de manhã, 5 de maio, mais ou menos 10h, ligam na minha casa. Meu irmão atende. Desliga e bate na porta do meu quarto com delicadeza, o que eu estranho, já que ele era extreamente grosso pra simplesmente abri-la quando resolvia me acordar porque "já tava tarde".
"Posso entrar?"
"Sim"
"Giovana... minha mãe morreu."
"Como assim? Como assim? Como assim?"
Comecei a chorar mas parei logo. Meu irmão me ofereceu um café, eu recusei. Fiz um chá. Ele disse que ela havia se matado em Abadiânia, GO. E que iria com outros familiares resolver burocracias do corpo. E eu disse que iria ver o Alex no shopping. Ele não tinha celular na época, eu não queria dar bolo.
Quando estávamos lá, contei o que havia acontecido e fomos tomar um café. Eu estava calma. Vi a vitrine, "Bolo das mães". Comecei a chorar. Assim como chorei muito quinta-feira voltando de Taguatinga, onde fui comprar as coisas pros cupcakes.
Mas o ônibus levou 1h30min e além de chorar eu refleti bastante. E refleti sobre o dia das mães.
Não sei se já dei presente de dia das mãe pra ela alguma vez na vida, mas se dei, foram com certeza pouquíssimas vezes. Ela não fazia nenhuma questão. Minha mãe dizia que não era, nas palavras dela, convencional, e de fato ela nunca foi, para o bem e para o mal.
Minha mãe com certeza diria que o dia das mães era só uma data comercial, como outras. E realmente é.
Afetos não são mercantilizáveis, não importa o quanto o capitalismo tente te convencer disso. Se eu pudesse presentear minha mãe esse ano, seria com mais compreensão, carinho e um pedido de perdão. Talvez eu levasse ela pra sair, mas não por causa do dia das mães, e sim porque eu quero. Como já levei antes. Tendo momentos agradáveis ou com a gente se espezinhando. Mas para todos a vida é uma alternância de momentos, e hoje eu tenho consciência disso.
"Hoje eu faria
Algumas coisas de um jeito diferente
Levaria o "be kind" mais a sério
Mas eu não podia ser mais velha do que era"
http://abaixoagravidade.blogspot.com.br/2012/12/sobre-continuar.html
Dei o nome da minha "marca" de cupcakes de Diadorim. Diadorim é um protagonista de Grande Sertão: Veredas, do autor preferido dela: Guimarães Rosa. Cozinhar pra mim é um ato de amor. Também quero ter um dia um local para pessoas que precisem dormir e viver com o nome de Casa Beatriz.
A única coisa que posso fazer com a saudade, a dor, e o arrependimento, e as reflexões, e as experiências, é tentar evitar que me dilacerem e tentar sempre ser uma pessoa melhor, mais gentil e compassiva. Alguém que ela pudesse ter orgulho, se Deus quiser.
Ela entenderia que eu estou tentando, como ela tentou. Enquanto pôde e até o final.
Eu te amo, mãe. Espero que você esteja num lugar melhor.
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