"Eu lembro que de vez em quando, eu era obrigado a fumar na janela daí
Sua janela tem um parapeito e pra não deixar a fumaça entrar na casa, eu ficava sentado no parapeito do sexto andar né
Jogando a fumaça pra fora
De vez em quando eu pensava que se eu caísse dali, tava tudo bem sabe, não tinha tanto problema, eu estava tão feliz nó
Mas eu não caía né, eu não me jogava
Meus planos tinham você no meio, e morrer não tinha você."
Vitor Brauer - Dezembro http://vitorbrauer.bandcamp.com/track/dezembro
domingo, 16 de outubro de 2016
quinta-feira, 13 de outubro de 2016
escuro II
eu não quero trazer ninguém
para esse lugar escuro onde vivo
dentro da minha cabeça
eu não quero trazê-lo
posso falar sobre isso
mas dispenso visitas dentro
por aqui dói demais
é tudo agudo e áspero
cheio de arestas
e lacunas
prefiro visitar os lugares luminosos alheios
ou, ainda, os que apesar de escuros,
ainda permitem caminhar
não quero ser sombra
quero ser Lua
satélite lânguido e pálido
que ilumina os amantes apaixonados
sexto Arcano Maior:
você quer caminhar comigo?
segure minha mão
enquanto te for possível
e soar doce
não pedirei para ir além
aceito o cabível
reflito sobre a transitoriedade
impermanência que permeia tudo
e a todos
"estejam em paz", ela disse
é o que desejo a eles também
a elas
a mim própria
nós que tentamos muito
nós para quem os dias são desafios
que por vezes beiram perigosamente o insuportável
nós que tentamos muito
cansamos muito
um copo d'água
e um abraço
compreensão
não é por querer que me sinto assim
não é por falta de tentar
às vezes sinto que o mal-estar reside até nos meus ossos
ainda estou cheia de amor, contudo
o que talvez seja uma potente redenção
quando se é depressiva
renovo minha ligação com a vida
renovo meu pacto com minha própria vida
de bom grado
me quebrei tantas vezes e de tantas formas
arrebentei meus sentimentos gastos contras as rochas
me arrebentei todinha pela estrada
meus poemas são cheios de metáforas
sobre pedaços e cacos
ainda há amor, contudo
e muito
não imputo a ninguém salvar minha vida
este ofício é intransferivelmente meu
o que peço é hiatos de paz
e doçura
ainda que quebrada, ao lado dele me refaço
inteira
cada dia e cada noite
vagalumes e estrelas reluzem mais belos
durante a noite
sei que por aqui "é escuro e frio
mas também bonito"
Sol na casa 12 oposto a Saturno
brutalmente oposto
apesar disso, Lua em câncer
domiciliada no meio-céu
amo tanto e amo amar
e amo amá-lo
"o amor comeu meu medo da morte"
embora insone
tenho um bom par de olhos
para olhar quem escolhi próximo a mim
quando minha mente não quer descansar
e apesar da frustração que por vezes me exaure
se eu pude conhecer alguém assim
e ser amada em minhas fragilidades
se jamais preciso pedir perdão por ser eu
então há algo de muito certo
em todo esse processo
a dor não é mais real do que a alegria
do que os bons momentos
do que o amor
a vida é real em sua multiplicidade
próxima a ti
minha vida floresce mais vívida
intensamente
profundamente
intimamente
delicadamente
no contato com tua alma
emergem e redescubro
as partes minhas mais bonitas
que, afinal,
sobreviveram a todo caos
gratidão pelas noites
e pelas manhãs.
para esse lugar escuro onde vivo
dentro da minha cabeça
eu não quero trazê-lo
posso falar sobre isso
mas dispenso visitas dentro
por aqui dói demais
é tudo agudo e áspero
cheio de arestas
e lacunas
prefiro visitar os lugares luminosos alheios
ou, ainda, os que apesar de escuros,
ainda permitem caminhar
não quero ser sombra
quero ser Lua
satélite lânguido e pálido
que ilumina os amantes apaixonados
sexto Arcano Maior:
você quer caminhar comigo?
segure minha mão
enquanto te for possível
e soar doce
não pedirei para ir além
aceito o cabível
reflito sobre a transitoriedade
impermanência que permeia tudo
e a todos
"estejam em paz", ela disse
é o que desejo a eles também
a elas
a mim própria
nós que tentamos muito
nós para quem os dias são desafios
que por vezes beiram perigosamente o insuportável
nós que tentamos muito
cansamos muito
um copo d'água
e um abraço
compreensão
não é por querer que me sinto assim
não é por falta de tentar
às vezes sinto que o mal-estar reside até nos meus ossos
ainda estou cheia de amor, contudo
o que talvez seja uma potente redenção
quando se é depressiva
renovo minha ligação com a vida
renovo meu pacto com minha própria vida
de bom grado
me quebrei tantas vezes e de tantas formas
arrebentei meus sentimentos gastos contras as rochas
me arrebentei todinha pela estrada
meus poemas são cheios de metáforas
sobre pedaços e cacos
ainda há amor, contudo
e muito
não imputo a ninguém salvar minha vida
este ofício é intransferivelmente meu
o que peço é hiatos de paz
e doçura
ainda que quebrada, ao lado dele me refaço
inteira
cada dia e cada noite
vagalumes e estrelas reluzem mais belos
durante a noite
sei que por aqui "é escuro e frio
mas também bonito"
Sol na casa 12 oposto a Saturno
brutalmente oposto
apesar disso, Lua em câncer
domiciliada no meio-céu
amo tanto e amo amar
e amo amá-lo
"o amor comeu meu medo da morte"
embora insone
tenho um bom par de olhos
para olhar quem escolhi próximo a mim
quando minha mente não quer descansar
e apesar da frustração que por vezes me exaure
se eu pude conhecer alguém assim
e ser amada em minhas fragilidades
se jamais preciso pedir perdão por ser eu
então há algo de muito certo
em todo esse processo
a dor não é mais real do que a alegria
do que os bons momentos
do que o amor
a vida é real em sua multiplicidade
próxima a ti
minha vida floresce mais vívida
intensamente
profundamente
intimamente
delicadamente
no contato com tua alma
emergem e redescubro
as partes minhas mais bonitas
que, afinal,
sobreviveram a todo caos
gratidão pelas noites
e pelas manhãs.
terça-feira, 11 de outubro de 2016
Refúgio
Que coisa impressionante é o amor e sua capacidade de abrir os
asfaltos estéreis que nem a flor do Drummond, de ocupar os espaços e
transbordá-los, de romper limites arbitrários para traçar caminhos para
outros mais humanos e solidários.
Amar é insurgir contra o tempo da máquina e criar outro. Um tempo e um mundo novo em que tudo brilha diferente. Tempo de delicadeza. De vozes baixas. De arder, passional & febril, tanto quanto de repousar na suavidade. Suspirar e repousar lado a lado. De mãos dadas. Ou no colo de alguém. A vulnerabilidade da entrega. E a beleza que reside no inefável. Na intimidade.
Amar é insurgir contra o tempo da máquina e criar outro. Um tempo e um mundo novo em que tudo brilha diferente. Tempo de delicadeza. De vozes baixas. De arder, passional & febril, tanto quanto de repousar na suavidade. Suspirar e repousar lado a lado. De mãos dadas. Ou no colo de alguém. A vulnerabilidade da entrega. E a beleza que reside no inefável. Na intimidade.
"Eu dei-lhe a flor de minha vida"
Tempo e sinceridade no estar ali são algumas das coisas mais preciosas que você pode dar a alguém.
Amar é uma dádiva.
Mas escolham bons solos para as sementes. Na areia, não costuma brotar. Regar areia geralmente é vão. Não se trata de atribuir culpas, e sim de respeitar a natureza alheia. Escolher permanecer, frente ao amor e a intimidade, é um ato de coragem tanto quanto deixar ir quando não se cabe mais ali.
A vida é custosa demais para termos mais peso nela. Merecemos refúgio. Espaço-tempo coexistindo com alguém que te permita digerir a vida. E cuidar do território sagrado que é o espaço físico e psíquico do outro para que o contato entre uma terra a outra, ou um mar a outro, seja nutritivo. Que o conectar seja são, que seja doce. Merecemos refúgio.
{tenho tido.
}
Tempo e sinceridade no estar ali são algumas das coisas mais preciosas que você pode dar a alguém.
Amar é uma dádiva.
Mas escolham bons solos para as sementes. Na areia, não costuma brotar. Regar areia geralmente é vão. Não se trata de atribuir culpas, e sim de respeitar a natureza alheia. Escolher permanecer, frente ao amor e a intimidade, é um ato de coragem tanto quanto deixar ir quando não se cabe mais ali.
A vida é custosa demais para termos mais peso nela. Merecemos refúgio. Espaço-tempo coexistindo com alguém que te permita digerir a vida. E cuidar do território sagrado que é o espaço físico e psíquico do outro para que o contato entre uma terra a outra, ou um mar a outro, seja nutritivo. Que o conectar seja são, que seja doce. Merecemos refúgio.
{tenho tido.
segunda-feira, 10 de outubro de 2016
mother did it need to be so high
eu faria quase qualquer coisa pela oportunidade de te dar um último abraço
mas infelizmente isso é impossível
só me resta viver com a saudade e carregar esse fardo o amor de outras pessoas ameniza um pouco esse vazio e esse terror da tua ausência
e de ser obrigada a viver com essa ausência, indelével
eu progredi tanto mas isso sempre vai me rasgar e arrebentar todinha
essa falta
a despedida não foi só prematura, foi-me arrancada
e de um jeito muito brutal
e não há escapatória se não viver com isso
o melhor possível
eu juro do fundo do coração que tô tentando ficar bem
ser feliz, até
ficar viva
não tentar te seguir do outro lado
não te imitar na morte
e suicídio já era uma questão mais antiga na minha vida antes do seu
e o quanto você me ridicularizou por isso...
saudade do jeito que você mexia no meu cabelo
do som da sua voz e da sua risada queria mostrá-los a você
queria cantar pra você
aprendi Father & son, do Cat Stevens
eu passei na UnB um mês depois do teu suicídio
quem diria né
mas nunca consegui cursar
já se passaram 4 anos
em novembro você faria 59 anos
dia 21
uma das minhas melhores amigas é escorpiana
você odiaria ela
você parecia me odiar às vezes
sei que era um quadro mental grave
mas as marcas ficaram
e dói tanto, ninguém deveria ter de passar por isso
o suicídio da própria mãe
qual o peso simbólico de quem te colocou no mundo não conseguir suportá-lo?
eu ainda tô aqui, apesar de tudo
queria poder te abraçar e poder deitar a cabeça no seu colo
queria poder te abraçar e poder deitar a cabeça no seu colo
e queria que você tivesse orgulho de mim
ninguém me admirava tanto
e ninguém me destruiu tanto, também
mesmo antes de morrer
meu cabelo todo ficou mais fino e mais ralo depois que você morreu
não foi uma queda, foi simplesmente acontecendo
agora ele tá azul
lembro de você achando o máximo eu com uns 6 anos te falando sobre a fase azul do Picasso
melancolia
você dizia que eu fui a gravidez acidental mais linda do mundo
não queria ter perdido você assim
espero que você esteja em paz
e que um dia eu tenha pra mim também.sexta-feira, 30 de setembro de 2016
escuro
29.09.16
eu estou me esforçando
mas pareço nunca conseguir sair
desse lamaçal escuro de dor
esse lodo estranho
e anti-humano
que é a depressão
estou me esforçando
para aprender a nadar sem me afogar
a dançar no escuro
e a saber pedir velas
quando beira o insustentável
nessa noite escura da alma
que parece interminável
"a gente ama feito a Frida Kahlo
e morre feito o Elliott Smith"*
estou tentando não morrer
estou tentando não morrer
eu juro
por favor,
acredite em mim
a maior parte das pessoas
não se dá conta
da grande conquista que é sobreviver
parece algo indigno de nota ou aplauso
algo dado, óbvio, nada a ser parabenizado
pensar isso é coisa
de quem nunca quis muito
muito
morrer
pois então sobreviver se torna vitória, sim
abrir os olhos, viva
ainda que se tenha dormido pessimamente
tomar banho
comer algo, nem que seja miojo
talvez lavar louça
como alguém pode se orgulhar disso?
bem, eu posso
alguém que já odiou cada batida do próprio coração
por ser sinal da permanência da vida
alguém que já quis chorar toda manhã
e amaldiçoou seus dias
por continuarem vindo
um após o outro
um após o outro
eu ainda queria queimar certas memórias
que tanto pesam no meu corpo
nos meus olhos
"a responsabilidade é um golpe do meu inconsciente
para me manter viva.
as pessoas, elas não sabem
como é ser triste
elas mal aguentam estar tristes."**
vez ou outra escuto que sou alegre
não é mentira
quando estou bem, a alegria é proporcional
a saber quanto custou-me estar ali, viva
e abraço e amo meus amigos
e ao Sol, a Lua, as estrelas
Madre Tierra em toda sua grandeza
sorrio como sobrevivente que sou
é isso é muito poderoso
ainda que eu o saiba
frágil
ainda que eu me saiba
frágil
a vida é um presente do Universo
que eu não sei muito bem como lidar
mas eu juro, hoje
apesar de tudo, tudo
é um presente que não estou tentando devolver
é um presente que estou tentando levar
até o fim
(eu não acho que precisava ser assim
sermos forjadas pela dor
pessoas como eu
quebram
ainda assim
estou buscando seguir)
*paráfrase de Vitor Brauer - Amor e Morte http://vitorbrauer.bandcamp.com/track/amor-e-morte
**Patricia Nardelli - Saiwalô https://patricianardelli.wordpress.com/2013/07/18/espantalho/
eu estou me esforçando
mas pareço nunca conseguir sair
desse lamaçal escuro de dor
esse lodo estranho
e anti-humano
que é a depressão
estou me esforçando
para aprender a nadar sem me afogar
a dançar no escuro
e a saber pedir velas
quando beira o insustentável
nessa noite escura da alma
que parece interminável
"a gente ama feito a Frida Kahlo
e morre feito o Elliott Smith"*
estou tentando não morrer
estou tentando não morrer
eu juro
por favor,
acredite em mim
a maior parte das pessoas
não se dá conta
da grande conquista que é sobreviver
parece algo indigno de nota ou aplauso
algo dado, óbvio, nada a ser parabenizado
pensar isso é coisa
de quem nunca quis muito
muito
morrer
pois então sobreviver se torna vitória, sim
abrir os olhos, viva
ainda que se tenha dormido pessimamente
tomar banho
comer algo, nem que seja miojo
talvez lavar louça
como alguém pode se orgulhar disso?
bem, eu posso
alguém que já odiou cada batida do próprio coração
por ser sinal da permanência da vida
alguém que já quis chorar toda manhã
e amaldiçoou seus dias
por continuarem vindo
um após o outro
um após o outro
eu ainda queria queimar certas memórias
que tanto pesam no meu corpo
nos meus olhos
"a responsabilidade é um golpe do meu inconsciente
para me manter viva.
as pessoas, elas não sabem
como é ser triste
elas mal aguentam estar tristes."**
vez ou outra escuto que sou alegre
não é mentira
quando estou bem, a alegria é proporcional
a saber quanto custou-me estar ali, viva
e abraço e amo meus amigos
e ao Sol, a Lua, as estrelas
Madre Tierra em toda sua grandeza
sorrio como sobrevivente que sou
é isso é muito poderoso
ainda que eu o saiba
frágil
ainda que eu me saiba
frágil
a vida é um presente do Universo
que eu não sei muito bem como lidar
mas eu juro, hoje
apesar de tudo, tudo
é um presente que não estou tentando devolver
é um presente que estou tentando levar
até o fim
(eu não acho que precisava ser assim
sermos forjadas pela dor
pessoas como eu
quebram
ainda assim
estou buscando seguir)
*paráfrase de Vitor Brauer - Amor e Morte http://vitorbrauer.bandcamp.com/track/amor-e-morte
**Patricia Nardelli - Saiwalô https://patricianardelli.wordpress.com/2013/07/18/espantalho/
sexta-feira, 23 de setembro de 2016
"você é uma sobrevivente do caralho"
para Luana e Louis, que também o são
para Aninha, que me entende obscuramente
e para Laravilhosa, por tanto amor de graça
o dano ficou mesmo sem intenção
percebe a fragilidade das coisas?
todo cuidado é pouco
ontem bêbada deixei minha caneta cair
debaixo da porta da sacada da casa
do meu amigo
na ânsia de tirá-la, enfiei ela mais pra dentro da porta
fora do alcance de meus dedos
ao final da noite pedi ajuda para pegar
e ele conseguiu fazer isso em poucos segundos
e é com ela que escrevo esse poema agora
esses fragmentos soltos, retalhos
de pensamentos
dormi mal a semana toda, exceto ontem
bendito e maldito é ocupar minha própria pele
sagrado ofício, intransferível
e tão doloroso
sou multiforme
multifacetada, lapidada na dor e no riso
densa como água escura, doce como água gelada
sinuosa como são os rios
mar adentro, vida afora
vida aflora
escorrendo pelos poros
e eu que tenho a memória
congestionada e parcialmente arruinada
pela depressão
lembro-me das roupas que usávamos
na primeira vez em que saí com ele
detalhe trivial que só comprova que
"A memória guardará o que valer a pena. A memória sabe de mim mais que eu;
e ela não perderá o que merece ser salvo."
- Eduardo Galeano
"E é isso que quero: partilhar nosso tempo, embora nosso tempo
seja feito
de silêncios a anônimos
(...)
Sonho dobrar uma página dessas vozes todas. Todas minhas.
Sonho dobrar essas vidas de vozes que choram."
- Vítor Brauer - Dobrar (part. Marcelo Diniz)
para Aninha, que me entende obscuramente
e para Laravilhosa, por tanto amor de graça
o dano ficou mesmo sem intenção
percebe a fragilidade das coisas?
todo cuidado é pouco
ontem bêbada deixei minha caneta cair
debaixo da porta da sacada da casa
do meu amigo
na ânsia de tirá-la, enfiei ela mais pra dentro da porta
fora do alcance de meus dedos
ao final da noite pedi ajuda para pegar
e ele conseguiu fazer isso em poucos segundos
e é com ela que escrevo esse poema agora
esses fragmentos soltos, retalhos
de pensamentos
dormi mal a semana toda, exceto ontem
bendito e maldito é ocupar minha própria pele
sagrado ofício, intransferível
e tão doloroso
sou multiforme
multifacetada, lapidada na dor e no riso
densa como água escura, doce como água gelada
sinuosa como são os rios
mar adentro, vida afora
vida aflora
escorrendo pelos poros
e eu que tenho a memória
congestionada e parcialmente arruinada
pela depressão
lembro-me das roupas que usávamos
na primeira vez em que saí com ele
detalhe trivial que só comprova que
"A memória guardará o que valer a pena. A memória sabe de mim mais que eu;
e ela não perderá o que merece ser salvo."
- Eduardo Galeano
"E é isso que quero: partilhar nosso tempo, embora nosso tempo
seja feito
de silêncios a anônimos
(...)
Sonho dobrar uma página dessas vozes todas. Todas minhas.
Sonho dobrar essas vidas de vozes que choram."
- Vítor Brauer - Dobrar (part. Marcelo Diniz)
terça-feira, 20 de setembro de 2016
navegar
19.09.16
tire o medo do caminho que eu vou passar com meu amor
segurar firme a mão do outro e pular
no abissal desconhecido
universo alheio
tire os calçados e deixe na porta de entrada
pise com cuidado ao entrar noutra alma
acenda uma vela pr'Oxum
talvez nem careça de perguntar pra sua orixá
se amor só é bom se doer
bom mesmo é viver
saúde a gente constrói
é no cotidiano convívio
e na confiança íntima, contínua, tácita
saúde no amor é dádiva
segurar firme a mão do outro e pular
respirar fundo e caminhar
(ou pedalar)
inspirar e expirar e sentir o gosto
o cheiro, o tato
a memória que outro corpo carrega
reciprocidade explícita é dádiva
tentativas que florescem e frutificam
fluem, nutrem
a alma
amar e permitir ser amada
ser amada e permitir amar
chorar lágrimas salgadas e aceitar
que estar perto exige encarar
os pedaços nossos que gostaríamos de negar
reuni-los e cantar uma canção
que una todos os ossos cansados
costurar os fragmentos de si soltos pela estrada
"desenha minha vida na tua"
borda meu caminho no teu
se as ondas escuras ameaçarem me tragar
sou sereia e vim de uma ilha
(ele também)
e nado furiosamente para não me afogar
posso mergulhar no mar escuro
se for para emergir maior
mais sã, mais inteira
pulsante
posso até aprender a surfar
importante é sobreviver
o melhor possível
fechar os olhos e sentir em cada poro
paixão
vibrante
sentir com consciência o quanto custa
o mero ser
e apesar de tudo isso
honrar as partes minhas em ti
e as tuas em mim
ousar viver o novo
e puxar pra mais um beijo
com gosto de lua e memória de mar.
tire o medo do caminho que eu vou passar com meu amor
segurar firme a mão do outro e pular
no abissal desconhecido
universo alheio
tire os calçados e deixe na porta de entrada
pise com cuidado ao entrar noutra alma
acenda uma vela pr'Oxum
talvez nem careça de perguntar pra sua orixá
se amor só é bom se doer
bom mesmo é viver
saúde a gente constrói
é no cotidiano convívio
e na confiança íntima, contínua, tácita
saúde no amor é dádiva
segurar firme a mão do outro e pular
respirar fundo e caminhar
(ou pedalar)
inspirar e expirar e sentir o gosto
o cheiro, o tato
a memória que outro corpo carrega
reciprocidade explícita é dádiva
tentativas que florescem e frutificam
fluem, nutrem
a alma
amar e permitir ser amada
ser amada e permitir amar
chorar lágrimas salgadas e aceitar
que estar perto exige encarar
os pedaços nossos que gostaríamos de negar
reuni-los e cantar uma canção
que una todos os ossos cansados
costurar os fragmentos de si soltos pela estrada
"desenha minha vida na tua"
borda meu caminho no teu
se as ondas escuras ameaçarem me tragar
sou sereia e vim de uma ilha
(ele também)
e nado furiosamente para não me afogar
posso mergulhar no mar escuro
se for para emergir maior
mais sã, mais inteira
pulsante
posso até aprender a surfar
importante é sobreviver
o melhor possível
fechar os olhos e sentir em cada poro
paixão
vibrante
sentir com consciência o quanto custa
o mero ser
e apesar de tudo isso
honrar as partes minhas em ti
e as tuas em mim
ousar viver o novo
e puxar pra mais um beijo
com gosto de lua e memória de mar.
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